Assassin’s Creed: Shadows – DLC: Claws of Awaji – Análise
Depois de uma campanha principal que deixou algumas pontas soltas importantes, Assassin’s Creed Shadows retorna com sua grande expansão para dar continuidade à jornada de Naoe e Yasuke. Em Claws of Awaji, a dupla parte rumo a uma nova ilha em busca de respostas, enfrentando uma ameaça inédita em uma região que tenta se diferenciar do mapa base não apenas pela ambientação, mas também pelo tom mais hostil da exploração. Agora chegou o momento de conferir a nossa análise completa e sem spoilers.
Mas será que essa expansão realmente entrega o fechamento que muitos esperavam para a história?
Um Retorno Que Faz Sentido
Ao decorrer da nossa análise, ficou claro que Claws of Awaji funciona melhor quando é entendida como uma continuação direta dos eventos do jogo base, e não como uma grande reinvenção da experiência. A expansão retoma uma linha narrativa que havia ficado em aberto, colocando Naoe e Yasuke em uma nova missão que tenta aprofundar a jornada dos protagonistas e dar mais peso a elementos que antes pareciam apenas sugeridos.
A introdução é um dos momentos mais interessantes da DLC, justamente por apresentar esse novo capítulo de maneira um pouco diferente do habitual. Há uma preocupação em criar um início mais marcante, que chama a atenção e estabelece rapidamente o clima da nova aventura. A expansão também acerta ao ser mais objetiva do que a campanha principal em sua progressão, evitando por um tempo aquela sensação de excesso de dispersão que marcou parte do ritmo de Shadows.
Ainda assim, a história não escapa de um problema já conhecido. Embora exista uma motivação clara e um ponto de partida promissor, o roteiro novamente demora a transformar esse gancho em algo realmente memorável. Existem bons momentos, algumas cenas com peso dramático e uma tentativa evidente de encerrar certas questões, mas em partes raramente alcança a carga emocional que promete. Em vez de entregar uma conclusão realmente impactante, a expansão muitas vezes parece apenas prolongar conflitos que já deveriam chegar aqui com mais força.
Awaji Traz Identidade Própria, Mas Cobra um Preço

A ilha de Awaji é, sem dúvida, o grande diferencial visual e estrutural da expansão. Oficialmente, a Ubisoft descreve a região como um novo mundo aberto além da Baía de Osaka, marcado por emboscadas, armadilhas e pela presença constante de novos inimigos letais. Essa identidade aparece logo nos primeiros momentos e ajuda a DLC a construir uma atmosfera mais opressiva do que a do jogo base.
Há um senso constante de ameaça durante a exploração. Diferente de outras áreas do jogo principal, Awaji passa a impressão de que o jogador está invadindo um território que reage o tempo todo à sua presença. Emboscadas surgem com frequência, inimigos aparecem de forma sorrateira e o simples ato de cavalgar entre um objetivo e outro costuma ser menos tranquilo do que antes. Isso contribui para dar personalidade à expansão e reforça a proposta de uma jornada mais tensa.
Por outro lado, essa mesma ideia nem sempre funciona a favor do ritmo. Em vários momentos, a hostilidade excessiva da ilha quebra o fluxo da exploração em vez de enriquecê-lo. O relevo mais irregular, a vegetação fechada e a quantidade de interrupções fazem com que certos deslocamentos pareçam mais demorados do que deveriam. O mapa até tem beleza e identidade, mas nem sempre oferece a liberdade de movimentação que a série costuma usar como uma de suas principais virtudes.
Curiosamente, os assentamentos e algumas áreas urbanas se saem melhor. Quando a expansão deixa o jogador aproveitar mais o parkour, usar telhados e pensar rotas com mais criatividade, Awaji mostra um lado mais interessante. É nesses momentos que o design da ilha realmente conversa com o que Assassin’s Creed tem de mais característico.
Chefes Mais Interessantes Elevam a Experiência

Se existe um ponto em que Claws of Awaji realmente se destaca, é na forma como lida com alguns de seus confrontos principais. Ao contrário da campanha base, que espalhava muitos alvos pelo mapa e nem sempre dava personalidade suficiente a eles, a expansão parece mais preocupada em fazer com que certos inimigos tenham presença, estilo e identidade própria.
Isso se reflete diretamente nas batalhas. Algumas lutas exigem mais furtividade, outras valorizam o combate direto, e há também momentos em que a investigação pesa mais na progressão. Essa variedade ajuda a DLC a encontrar um equilíbrio melhor entre os pilares da franquia e torna a caçada aos principais alvos mais interessante do que boa parte da estrutura repetitiva do jogo principal.
Naoe e Yasuke continuam funcionando muito bem como dupla justamente por representarem abordagens opostas. Naoe segue sendo a melhor escolha para infiltrações, assassinatos silenciosos e movimentação ágil, enquanto Yasuke mantém sua força em confrontos frontais, absorvendo dano e dominando embates mais intensos. A expansão entende essa diferença e, quando acerta, usa os dois de forma complementar em vez de simplesmente repetir o modelo que o jogador já conhece.
O Bastão Bō É Uma Adição Muito Bem-Vinda

Entre as novidades mais interessantes desta fase pós-lançamento está a chegada do Bō para Naoe. A Ubisoft confirmou a arma como parte da atualização relacionada à expansão, liberando uma missão gratuita para todos os jogadores aprenderem seu uso, enquanto a DLC amplia esse arsenal com armas lendárias, novos equipamentos, habilidades e itens que podem ser levados de volta para o jogo base.
Na prática, o bastão é uma excelente adição ao combate. Ele amplia as possibilidades de Naoe de uma forma muito natural, oferecendo mais versatilidade para quem quer continuar priorizando agilidade, mas sem ficar tão limitado quando o confronto direto se torna inevitável. É o tipo de novidade que não parece mero extra cosmético ou conteúdo descartável: ela realmente acrescenta algo à jogabilidade.
Esse é um dos pontos em que a expansão mais claramente agrega valor ao pacote completo de Shadows. Mesmo para quem não vê em Claws of Awaji uma continuação essencial, o novo estilo de combate de Naoe é um reforço muito bem-vindo para a experiência geral.
Mais Conteúdo, Mas Nem Sempre Mais Impacto

A Ubisoft também aproveitou o período da expansão para ampliar o suporte ao jogo com mudanças gratuitas, incluindo aumento do level cap para 100, novas melhorias para o esconderijo, opção de avançar o horário do dia por meditação e ajustes de progressão ligados a exploração e equipamento. Tudo isso ajuda a reforçar a sensação de continuidade do projeto e mostra que Shadows segue recebendo atenção relevante no pós-lançamento.
No entanto, isso também evidencia um problema: parte do valor de Claws of Awaji está mais no conjunto de melhorias ao redor dela do que em sua narrativa principal. A expansão traz conteúdo, tem boas ideias, oferece chefes mais interessantes e um mapa com personalidade, mas ainda esbarra em velhos vícios da fórmula. A repetição estrutural continua presente, algumas atividades rapidamente perdem o frescor, e o roteiro volta a dar a sensação de que está preparando algo maior sem realmente entregar tudo o que poderia.
No aspecto técnico, a qualidade visual permanece alta, e Awaji consegue manter o padrão de ambientação detalhada do jogo base. Ainda assim, a expansão não está totalmente livre de tropeços. Pequenos bugs e instabilidades ocasionais podem aparecer e, dependendo da plataforma, acabam prejudicando um pouco o ritmo da aventura.
Conclusão

Ao decorrer da nossa análise, notamos que Assassin’s Creed Shadows: Claws of Awaji é uma expansão competente, que encontra seus melhores momentos na ambientação mais hostil da nova ilha, na objetividade maior da progressão e, principalmente, nas batalhas contra chefes mais criativas e marcantes. A chegada do Bō para Naoe também representa uma adição valiosa, capaz de enriquecer o combate de forma genuína.
Por outro lado, a DLC volta a esbarrar em limitações que já existiam no jogo base. A estrutura ainda repete demais certas ideias, a exploração por vezes perde fluidez, e a narrativa, apesar de partir de uma premissa forte, não alcança todo o impacto dramático que parecia prometer.
Para quem gostou bastante de Assassin’s Creed Shadows e queria mais tempo ao lado de Naoe e Yasuke, Claws of Awaji é um complemento sólido e com bons momentos. Mas para quem esperava uma expansão capaz de redefinir o peso da história ou elevar a experiência a um novo patamar, talvez a sensação final seja de que faltou um passo além. No fim, trata-se menos de uma conclusão definitiva e mais de um bom apêndice para uma aventura que ainda parece guardar cartas para o futuro.
7,5/10
Jucélio “Lenda” Verissimo
Computador (PC)
Assassin’s Creed: Shadows foi gentilmente cedido pela Ubisoft para a realização desta análise.
Esta review representa a nossa opinião diante de tudo o que vimos e experimentamos, sabemos que cada pessoa possui opiniões diferentes em alguns aspectos, por isso sempre encorajamos que todos experimentem e tirem as suas próprias conclusões.


